16 de abril de 2026
O paradoxo dos melhores líderes: liderança em constante mudança
Sete recomendações de especialistas para superar o ideal de liderança “perfeita”
16 de abril de 2026
Sete recomendações de especialistas para superar o ideal de liderança “perfeita”
Rotular alguém como um “bom” líder sugere existir um padrão. Mas a liderança, assim como o mundo ao nosso redor, está longe de ser estática. Um excelente líder hoje pode não se amanhã se não conseguir se adaptar.
Já o conceito de “melhor” traz a ideia de evolução contínua.
Esse é o paradoxo dos melhores líderes: sucesso não é um ponto de chegada, mas um processo constante de melhoria.
No nosso último Global Summit, realizado pela EF Corporate Learning em parceria com a Hult Ashridge Executive Education, líderes de diferentes partes do mundo discutiram como essa evolução acontece na prática. A seguir, reunimos sete recomendações para liderar olhando para o futuro.
José Manuel Barroso (Presidente do Comitê de Assuntos Internacionais da Efekta) viveu vários momentos históricos que moldaram seu estilo de liderança. Esses momentos vão desde testemunhar a revolução de 1974 e a transição para a democracia em Portugal, onde mais tarde se tornaria primeiro-ministro, até conduzir a Europa durante a crise financeira de 2008 como 11º presidente da União Europeia. Sua mensagem foi direta: mudança faz parte da vida. Por isso, é melhor abraçá-la e direcioná-la. Ele incentiva líderes a conduzir transformações com humildade e a nunca perder o entusiasmo, mesmo quando as expectativas não se confirmam. É isso que inspira outras pessoas a seguir.
Enquanto a inteligência artificial tenta reproduzir capacidades humanas, a Dra. Eve Poole OBE (Hult International Business School) destaca que algumas características essenciais ficaram de fora.
O que pode parecer imperfeição é, na verdade, a base da liderança. Entre essas qualidades estão: contar histórias, lidar com incerteza, fazer escolhas, aprender com erros, emoção, sexto sentido e intuição.
Em um mundo cada vez mais automatizado, essas características são a nossa base para o futuro e devem ser o foco dos líderes.
Em organizações globais, a liderança deve ser capaz de atravessar fronteiras. O Dr. Christopher McCormick (Diretor Acadêmico da Efekta Education) destaca três princípios universais que sustentam a forma como construímos confiança nos outros e na liderança: competência (você sabe o que está fazendo?), intenção (você está do nosso lado?) e integridade (você faz o que diz?). No entanto, embora esses princípios sejam os mesmos, a forma como enviamos e percebemos esses sinais muda de uma cultura para outra. Por isso, líderes eficazes não só demonstram esses fundamentos, como também adaptam a forma de comunicá-los para que façam sentido em diferentes contextos.
Sob pressão, muitos líderes ficam em silêncio justamente quando a comunicação é mais necessária. Vicki Culpin (Professora de Comportamento Organizacional na Hult Ashridge Executive Education) incentiva líderes a deixarem claro seu raciocínio, mostrando como estão pensando, mesmo quando as decisões ainda estão em andamento. A transparência gera confiança: as pessoas tendem a apoiar mais as decisões quando entendem como elas foram tomadas.
Comunicar de forma aberta, mesmo em momentos de incerteza, é um passo importante para uma liderança melhor.
A maioria de nós superestima o quanto sabemos ouvir. Quando as equipes não se posicionam o suficiente, pode ser tentador tentar “forçar” aqueles que permanecem em silêncio. No entanto, Megan Reitz (professora de Liderança e Diálogo na Hult International Business School) incentiva os líderes a refletir sobre o papel do ouvinte na criação de segurança psicológica. É importante lembrar que líderes podem ser mais intimidadores do que imaginam. Por isso, devem incentivar diferentes pontos de vista, ir além das mesmas opiniões de sempre e responder bem quando as pessoas se manifestam. Equipes com mais segurança para falar são também as mais inovadoras, porque têm conversas mais abertas.
O tempo é o único recurso realmente limitado dentro das organizações. A professora Vicki Culpin destaca que, embora possamos sempre gerar mais receita ou conquistar mais clientes, o tempo é limitado; e precisa ser bem utilizado. Com aproximadamente 4.000 semanas em uma vida de 78 anos, o que escolhemos priorizar define, a nossa liderança e nossas vidas. Em vez de tentar fazer tudo, líderes devem focar no que realmente só eles podem fazer e delegar o restante. Esse diferencial, ou “vantagem comparativa”, indica onde o tempo deve ser investido.
Cecilia Sandberg (vice-presidente sênior e diretora de Recursos Humanos do Grupo Atlas Copco), questiona a ideia de que líderes precisam ter todas as respostas. Na prática, liderar bem é formar equipes que tenham essas respostas. Cercar-se de pessoas com diferentes experiências e visões fortalece as decisões e reduz a dependência do líder. O objetivo é criar um ambiente em que o time funcione bem mesmo sem você. Isso não significa perder relevância, mas sim alcançar uma liderança de verdade.
A jornada para se tornar um líder melhor é contínua. Liderar hoje é reconhecer que você está sempre em desenvolvimento e que cada avanço traz novos desafios e novas decisões.
Essas ideias oferecem um caminho: liderar com entusiasmo, valorizar o que nos torna humanos, adaptar-se a diferentes culturas, comunicar com clareza, criar ambientes de confiança e focar no que realmente importa.
A busca pela melhor versão nunca termina. E é justamente esse processo que permite que equipes e empresas cresçam de forma consistente.
Quer saber mais sobre como destravar todo o potencial da aprendizagem de idiomas?